Pesquisa retrata inovação tecnológica nas empresas brasileiras

7 agosto 2007

O número de empresas que fizeram inovação tecnológica no Brasil aumentou 8,4% em dois anos, passando de 28.036, em 2003, para 30.377, em 2005, de acordo com a Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica 2005, divulgada nesta terça-feira (31/7) pelo IBGE.

Empresas brasileiras inovadoras

No período pesquisado a participação das companhias inovadoras no total das empresas industriais se manteve constante em relação às pesquisas anteriores: a taxa de inovação foi de 33,4% no triênio 2003-2005, contra 33,3% no triênio 2001-2003 e 31,3% no triênio 1998-2000.

De acordo com a coordenadora da pesquisa, Andréa Salvador, o grande destaque da terceira edição da pesquisa foi o crescimento no número absoluto de empresas inovadoras.

“A taxa de inovação também aumentou, mas ela é um índice delicado, porque mascara o crescimento do número absoluto de empresas inovadoras. No Brasil, mais de 80% das empresas são pequenas e médias, exatamente as que menos inovam. Como há uma alta correlação entre inovação e tamanho da empresa, o número absoluto é mais sólido”, disse a técnica do IBGE à Agência FAPESP.

Inovações em pequenas e médias empresas

Segundo a pesquisa, as taxas de inovação geral foram de 28,9% para as empresas pequenas com 10 a 49 empregados e de 79,2% para as grandes empresas (500 pessoas ou mais). “É preciso observar que, em 2002 e 2003, o universo de indústrias era de cerca de 84 mil empresas e esse número saltou para algo em torno de 91 mil em 2005. O grosso desse universo não faz muita inovação. Por isso, pode-se concluir que o aumento nas médias e grandes foi muito expressivo”, afirmou.

As empresas industriais de médio porte (de 100 a 499 empregados) foram as que tiveram os aumentos mais significativos nas taxas de inovação entre os dois últimos triênios analisados (2001-2003 e 2003-2005).

Empresas de alta tecnologia

Uma das novidades da pesquisa do IBGE, realizada em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), é a inclusão de empresas de serviços de alta intensidade tecnológica, como telecomunicações, informática e pesquisa e desenvolvimento (P&D). Somando-se as industriais às 2.418 empresas de serviços inovadoras, o Brasil teve, em 2005, 32,8 mil empresas que fizeram inovação tecnológica em produto ou processo.

“A partir de agora, o IBGE irá considerar as empresas de serviços em todas as edições da pesquisa. Identificamos que esses setores têm grau muito alto de inovação. Nas telecomunicações, 45,9% das empresas inovaram. Em informática, o percentual foi de 57,6%”, disse Andréa.

A correlação entre tamanho e taxa de inovação, elevada nas empresas industriais, mostrou-se ligeiramente inferior nas de telecomunicações e informática, não sendo observada nas de P&D.

Investimento em inovação tecnológica

O esforço inovativo é medido pela participação dos gastos com inovação na receita. Os serviços de pesquisa e desenvolvimento, com nível de 68,9%, de informática (5,9%) e de telecomunicações (3,3%), realizaram esforços inovativos mais intensos do que a indústria (2,8%) em 2005.

Na informática, as atividades internas de P&D (2,33%), a aquisição de máquinas e equipamentos (1,27%) e o treinamento (0,69%) respondem pelas três maiores parcelas dos gastos com inovação no total da receita líquida de vendas. No setor de telecomunicações, os maiores percentuais de gasto no total do faturamento são com aquisição de software (0,9%), de máquinas e equipamentos (0,76%) e propaganda de lançamento das inovações no mercado (0,72%).

Inovações pelo país

Segundo a pesquisa, o estado de São Paulo reúne 35,3% das empresas industriais inovadoras. Do total do gasto industrial em inovação em todo o país, mais da metade (55,6%) foi efetuada pelas empresas paulistas.

“A indústria paulista é bastante heterogênea. Todos os setores estão representados ali, em um cenário bastante pulverizado. Mesmo assim, o estado concentra mais de um terço das indústrias inovadoras. Mas, quando olhamos o valor dos gastos, temos a verdadeira dimensão da representatividade da indústria paulista: mais da metade dos investimentos do país”, disse Andréa.

Das 33 atividades industriais observadas nos períodos 2001-2003 e 2003-2005, 21 obtiveram aumento nas taxas de inovação. A parcela do faturamento das empresas industriais gasta com inovações também aumentou de 2,5% em 2003 para 2,8% em 2005.

Risco na inovação

Segundo a pesquisa 2005, os principais obstáculos para inovação apontados pelos empresários são elevados custos, riscos econômicos excessivos e escassez de fontes de financiamento.

“Independentemente de ter efetivamente inovado ou não, pudemos detectar problemas que as empresas tiveram no meio do caminho. Procuramos saber as dificuldades e formamos um ranking de obstáculos. Os destaques são elevado custo da inovação e risco econômico excessivo”, destacou Andréa.

Como inovação sempre envolve riscos, expectativas mais favoráveis sobre o crescimento da economia doméstica e internacional influenciam positivamente as estratégias inovativas e, portanto, os investimentos em atividades desenvolvidas para inovar.

Mão-de-obra especializada

Houve ainda um aumento significativo do número de graduados e pós-graduados nas indústrias. “O montante foi 12,5% maior que o de 2003. Esse foi um dos aspectos mais interessantes da pesquisa. O fenômeno esteve ligado à ampliação do emprego nos setores de informática e telecomunicações”, disse Andréa.

A pesquisa contabilizou profissionais ocupados em atividades internas de P&D: cerca de 3,7 mil nas empresas de telecomunicações; 14,7 mil nas empresas de informática; 23,5 mil nas instituições de pesquisa e desenvolvimento; e 58,4 mil pessoas nas empresas industriais.

No recorte por nível de qualificação, a pesquisa mostra que os setores de informática (77,8%) e de telecomunicações (74,7%) empregaram as maiores cotas de profissionais com nível superior. Na indústria, em 2003, os pós-graduados e graduados somavam 21,8 mil, em um total de 38,5 mil pessoas em equivalência à dedicação plena. Em 2005, das 47,6 mil pessoas ocupadas em P&D, cerca de 27,6 mil eram de nível superior.


Moléculas orgânicas imitam metais, armazenam hidrogênio e dissociam amônia

7 agosto 2007

Moléculas orgânicas imitam metais no armazenamento de hidrogênio e dissociação de amôniaO que têm em comum o armazenamento sólido de hidrogênio e o aproveitamento da altamente tóxica amônia na indústria? O primeiro é a mais promissora forma de fazer com que o hidrogênio torne-se verdadeiramente o combustível do futuro. O segundo é um problema que a indústria gostaria de ver resolvido, sem contar o interesse na redução dos seus custos.

Carbenos

Cientistas da Universidade Riverside, Estados Unidos, descobriram algo que pode ser uma solução para esses dois problemas aparentemente tão diferentes. A resposta está em um material chamado carbeno – moléculas que possuem átomos de carbono altamente reativo, algo bastante raro.

Um carbeno é uma molécula que possui um carbono com seis elétrons, ao invés dos oito normais. A deficiência de elétrons torna esses compostos altamente reativos e instáveis.

Os carbenos imitam as propriedades dos metais em vários aspectos, entre elas a capacidade de armazenar hidrogênio no interior de sua estrutura molecular e de atuar como catalisador para dissociação da amônia.

Armazenamento de hidrogênio

Uma das maiores limitações no uso do hidrogênio como combustível é a dificuldade em armazená-lo e transportá-lo. Tanques pressurizados não são uma alternativa, já que um tanque de hidrogênio suficiente para fazer um carro andar 300 quilômetros pesaria mais do que o próprio carro.

A alternativa mais promissora é o seu armazenamento de forma sólida, com as moléculas de hidrogênio ligadas quimicamente com o material. Isso já é possível de se fazer utilizando metais, mas os resultados ainda não são bons em termos de custos e de manter o meio-ambiente livre de contaminantes.

É aí que entram os carbenos, mais especificamente, os carbenos amino-alcil-cíclicos, agora sintetizados. Essas moléculas orgânicas podem ser utilizadas para o desenvolvimento de alternativas para armazenamento sólido do hidrogênio porque apresentam propriedades, neste aspecto, muito semelhante aos metais.

Dissociação da amônia

“O modo de ação dessas moléculas orgânicas, entretanto, é totalmente diferente daquele dos metais,” salienta o coordenador da pesquisa, professor Guy Bertrand. “Além disso, essas moléculas são capazes de quebrar a amônia também – uma tarefa extremamente difícil para os metais.

Um composto capaz de quebrar a amônia poderá levar a formas simples e baratas para a criação de compostos amino utilizados na indústria em geral e para a fabricação de fármacos. A possibilidade de usar catalisadores não-metálicos para as reações de hidrogenação são de grande interesse para as indústrias química, petroquímica e farmacêutica.

Bibliografia:
Facile Splitting of Hydrogen and Ammonia by Nucleophilic Activation at a Single Carbon Center
Guido D. Frey, Vincent Lavallo, Bruno Donnadieu, Wolfgang W. Schoeller, Guy Bertrand
Science
Vol.: 316: 439-441
DOI: 10.1126/science.1141474

Cerebelo artificial vai permitir aprendizado e interação dos robôs humanóides

7 agosto 2007

Cerebelo artificial vai permitir que robôs humanóides aprendamCientistas europeus estão tentando levar a inteligência artificial a um novo nível: eles estão construindo um cerebelo artificial. O cerebelo é a região do sistema nervoso que coordena todo o nosso aparelho motor e contém os receptores dos nossos sentidos.

Cérebro de andróides

Um cerebelo artificial deverá não apenas permitir que os andróides – ou robôs humanóides – desempenhem sozinhos tarefas similares às que são feitas instintivamente pelos humanos, como também ajudará na pesquisa para o tratamento dos aspectos cognitivos de doenças como os males de Alzheimer e Parkinson.

A pesquisa é multidisciplinar e reúne cientistas das Universidades de Granada (Espanha), Edinburgo (Alemanha), Paris (França) e Israel, além da empresa Sony e do Centro Aeroespacial Alemão.

O projeto, chamado Sensopac, é uma continuação de um outro projeto chamado SpikeForce, no qual engenheiros eletrônicos, físicos e neurocientistas desenvolveram robôs capazes de se mover como animais e perceber uma quantidade significativa de sinais motores e sensoriais para formar noções cognitivas.

Cerebelo artificial

Cerebelo artificial vai permitir que robôs humanóides aprendamO cerebelo artificial exigiu a criação de microchips dedicados, que incorporam um sistema neuronal completo. O circuito artificial imita a estrutura cerebelar do sistema nervoso humano.

Quando for instalado em um robô, o cerebelo artificial permitirá que o andróide manipule objetos e interaja com todo o seu ambiente, inclusive com pessoas. Se não de forma “quase humana”, mas pelo menos de uma forma muito mais natural do que acontece com os robôs hoje, que devem ser cuidadosamente programados para cada tarefa em particular.

O cerebelo controla nossas funções cognitivas – ou de aprendizado – como a atenção, o processamento da linguagem, nossa percepção da música e até mesmo a abstração de outros estímulos sensores, como a noção do tempo, por exemplo.

“Embora os robôs estejam se tornando cada vez mais importantes em nossa sociedade e tenham uma tecnologia mais avançada, eles não podem ainda fazer certas tarefas como as que são feitas pelos mamíferos. O aprendizado contínuo em tempo real continua sendo um problema,” diz o coordenador da pesquisa, professor Eduardo Ros Vidal.

Robôs humanóides

“Embora nós estejamos ouvindo falar sobre robôs humanóides há anos, nós ainda não os vemos na rua ou usando as possibilidades ilimitadas que eles nos oferecem,” diz Vidal.

O objetivo do Projeto Sensopac é justamente dar um empurrão nesse sentido, permitindo que os robôs humanóides deixem de ser curiosidades técnicas em feiras e em filmes do YouTube, para se tornar um componente integrante de nossa vida diária.

O próximo passo dos pesquisadores é criar uma pele artificial para os robôs, tanto para lhes dar um aspecto mais humano, quanto para criar um sistema sensorial parecido com o nosso.


Labirintite poderá ser curada com implante contendo giroscópios e chip

7 agosto 2007

Labirintite poderá ser curada com implante auricularLabirintite. Esta palavra parece não ser suficiente para resumir o desconforto e o mal-estar sofrido pelas pessoas que perdem seu senso de equilíbrio – ainda que a sensação seja passageira na maioria delas. Agora, cientistas da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, estão começando os testes com um implante que poderá resolver o problema.

Labirintite

O senso de equilíbrio é controlado pelo vestíbulo, no interior do ouvido interno. Três canais semicirculares cheios de líquido e dispostos perpendicularmente entre si monitoram constantemente a posição e o movimento de nossa cabeça.

Quando a cabeça gira em determinada direção, o fluido do canal correspondente pressiona a membrana em sua extremidade. Essa membrana toca pequenos pêlos que, por sua vez, sensibilizam um nervo. Esse nervo envia a informação para o cérebro, que faz com que os olhos se ajustem à nova posição. Esse é o mais rápido reflexo de nosso organismo.

As pessoas que sofrem de labirintite perdem esse reflexo devido à morte dos pequenos pêlos responsáveis pelo acionamento do nervo. Isso se dá por problemas genéticos, por infecções e até mesmo pelo uso excessivo ou incorreto de antibióticos.

Implante auricular

O implante que promete curar a labirintite utiliza minúsculos giroscópios, sensores de posição e aceleração hoje largamente utilizados para o controle de posição em aviões e satélites de comunicação.

O aparelho já foi testado com sucesso em animais. Agora, para que os testes em humanos possam começar, os pesquisadores vão trabalhar na miniaturização do circuito – que ainda mede mais de meio centímetro de espessura – e na diminuição da energia consumida, para que as baterias possam ter longa duração.


Erosão e voçorocas agora podem ser mapeadas do espaço

7 agosto 2007

Erosão e voçorocas podem ser mapeadas por imagens de satéliteUm pesquisador da Universidade de Wageningen, na Holanda, desenvolveu uma técnica para reconhecer automaticamente valas causadas pela erosão a partir de fotos de satélites. Anton Vrieling, que desenvolveu o método para sua tese de doutoramento, fez as pesquisas no interior do Brasil.

Voçorocas

O desmatamento causa erosão em diversos níveis. No mais grave deles, o solo é completamente levado pelas águas da chuva e pelo vento, provocando enormes valas, chamadas voçorocas. Combatê-las é um trabalho difícil, demorado e caro. Mas o problema pode ser minimizado se as ações começarem quando a voçoroca não estiver muito grande.

O sensoriamento remoto por satélite por ser a solução, permitindo o monitoramento contínuo de grandes áreas, sem necessidade de deslocamento para o campo. Muitos agricultores não combatem o problema no início por falta de conhecimento técnico.

Mapeando a erosão do espaço

O que Anton Vrieling demonstrou em sua tese é que é possível reconhecer as valas causadas pela erosão nas imagens de satélite devido à forma como elas refletem a luz. Ele desenvolveu um programa de computador que analisa as fotos de satélite automaticamente e reconhece as voçorocas, sem necessidade de intervenção humana.

Mesmo se a erosão estiver em um nível pequeno demais para ser detectada pelas imagens de satélite, o programa consegue determinar o risco da erosão, analisando fatores que a influenciam, como cobertura vegetal, inclinação do terreno, níveis de chuva e características do solo.

Integrando os dados dessa análise com dados espaciais, como informações geológicas e de vegetação, é possível determinar as causas da erosão e, por conseguinte, estabelecer planos de ação para combatê-la.

As pesquisas de campo para a avaliação do programa foram feitas no Triângulo Mineiro, com o apoio do professor Silvio Rodrigues, da Universidade Federal de Uberlândia (MG).

Bibliografia:
Mapping erosion from space
Anton Vrieling
PhD thesis
http://library.wur.nl/wda/dissertations/dis4137.pdf

Dióxido de carbono é transformado em combustível usando energia solar

7 agosto 2007

Dióxido de carbono é transformado em combustöel usando energia solarO CO2, ou dióxido de carbono, tornou-se um problema global. O mundo todo está interessado em inibir sua emissão na atmosfera ou então em “seqüestrar” – capturar e armazenar – aquelas emissões impossíveis de se evitar.

Dióxido de carbono vira combustível

Que tal então transformar o dióxido de carbono em combustível? E fazer isto utilizando a energia solar? Melhor ainda, produzindo compostos químicos úteis para a indústria e evitando o consumo de combustíveis fósseis? Parece milagre? Pois esta é a proposta de um grupo de cientistas da Universidade de San Diego, nos Estados Unidos.

A equipe do Dr. Clifford Kubiak desenvolveu um equipamento que é capaz de capturar a luz do Sol, convertê-la em eletricidade e usar essa energia para quebrar a molécula de CO2 em monóxido de carbono (CO) e oxigênio.

O equipamento ainda é apenas um protótipo e não está totalmente otimizado. Por isso a energia solar sozinha não suficiente para fazê-lo funcionar completamente, exigindo um aporte externo de eletricidade.

Combustível

“Para cada referência à quebra do CO2, há mais de 100 artigos sobre a quebra da água para produzir hidrogênio, ainda que a quebra do CO2 esteja muito mais próximo daquilo que todos querem,” diz Kubiak. “[O equipamento] também produz CO, um composto químico importante, que é normalmente produzido a partir do gás natural. Assim, com a quebra do CO2 você pode economizar combustível, produzir um composto químico útil e reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa.”

O monóxido de carbono é altamente tóxico mas essencial para a produção de vários produtos, entre os quais os plásticos e detergentes. É possível também convertê-lo em combustível líquido.

O equipamento consiste em um semicondutor e duas camadas de catalisador. Ele quebra o dióxido de carbono para gerar monóxido de carbono e oxigênio em um processo de três etapas.

Catalisador de níquel

A primeira etapa consiste na captura dos fótons da luz do Sol pelo semicondutor. A segunda etapa é a conversão dessa energia óptica em energia elétrica, o que se dá dentro da própria célula. A última etapa é o envio da eletricidade para os catalisadores. Esses catalisadores convertem o dióxido de carbono em monóxido de carbono, liberado de um lado do aparelho, e oxigênio liberado na outra extremidade.

O catalisador foi desenvolvido no próprio laboratório. O melhor funcionamento até agora foi alcançado com uma enorme molécula contendo três átomos de níquel no seu centro.

Energia solar

A deficiência do equipamento ainda está na célula solar, feita de silício. Ela é capaz de fornecer apenas metade da energia necessária para quebrar a molécula de CO2, embora esteja sendo utilizada uma célula solar padrão encontrada no comércio. Os cientistas estão trabalhando no desenvolvimento de uma célula solar de fosfeto de gálio, um semicondutor que é mais eficiente do que o silício, absorvendo maior quantidade de radiação solar no espectro visível.

Nenhuma das peças do equipamento funciona otimamente ainda, o que demonstra que será necessário um grande trabalho de pesquisa e desenvolvimento em diversas áreas até que o novo conceito possa se transformar em um produto viável.


Criptografia quântica foi hackeada

7 agosto 2007

Nem bem a criptografia quântica chegou e cientistas afirmam que já conseguiram quebrar seus segredos. A criptografia quântica se baseia nas leis da mecânica quântica e a maioria dos cientistas considerava que redes quânticas seriam 100% seguras.

“Grampo” quântico

Um grupo de pesquisadores do MIT, Estados Unidos, conseguiu espionar uma transmissão usando uma espécie de “grampo quântico”, uma técnica parecida com aquela utilizada para se escutar ligações telefônicas.

O método de espionagem e quebra da segurança não é totalmente eficaz, já que foi possível decodificar apenas metade da mensagem. Mas 50% é muito para uma rede que se considerava 100% à prova de hackers. E mais, acreditava-se ser impossível espionar uma transmissão desse tipo sem ser detectado – mas não é.

Só no laboratório

Os pesquisadores admitem que sua técnica ainda não é capaz de permitir a espionagem de uma rede real. “Não é algo que atualmente possa ser utilizado para atacar um sistema comercial,” diz o físico Jeffrey Shapiro.

O sistema de criptografia quântica é tido como à prova de espionagem porque qualquer um que tente interceptar a mensagem vai quebrar a polarização do fóton coletado. Isso afeta a capacidade que o receptor tem de medí-lo corretamente. A espionagem então aparece na forma de um pico na taxa de erros da transmissão.

Entrelaçamento de partículas

Shapiro e seus colegas conseguiram contornar essa dificuldade usando um princípio físico chamado entrelaçamento, que conecta duas partículas. Utilizando um aparato óptico, eles entrelaçaram a polarização do fóton transmitido com seu momento. O espião pode então medir o momento a fim de obter informação sobre a polarização, sem afetar a polarização original.

Essa técnica não é perfeita, o que responde pelo fato de que foi possível ler apenas metade da mensagem. Nas outras vezes, o próprio processo de entrelaçamento afetou a polarização do fóton e o erro apareceu. A teoria afirma que é possível construir um aparato que não destrua nem altere os fótons, mas até hoje ninguém conseguiu construir um desses.

Bibliografia:
Complete physical simulation of the entangling-probe attack on the Bennett-Brassard 1984 protocol
Taehyun Kim, Ingo Stork genannt Wersborg, Franco N. C. Wong, Jeffrey H. Shapiro
Physical Review A
Vol.: 75, 042327 (2007)
DOI: 10.1103/PhysRevA.75.042327

Implante de eletrodos no cérebro traz paciente de volta à vida

7 agosto 2007

Implante de eletrodos no cérebro traz paciente de volta à vidaO paciente, cuja identidade não foi revelada, é um norte-americano de 38 anos, que, após ter sido vítima de agressão, estava no que se chama de estado de consciência mínima. Sua única forma de comunicação, inconsistente, resumia-se a eventuais movimentos com os dedos ou com os olhos. Após seis anos nesse estado, o paciente deixou de precisar se alimentar por meio de tubos e recuperou a capacidade de se expressar verbalmente.

Implante de eletrodos

A causa de tamanha e extremamente rara recuperação de uma lesão cerebral traumática se deve ao sucesso inédito – e que está sendo considerado revolucionário – de um procedimento conhecido como estimulação cerebral profunda (ECP). A cirurgia envolve o implante de eletrodos para promover impulsos elétricos em determinadas regiões cerebrais.

Os médicos responsáveis pelo procedimento, liderados por Ali Rezai, da Fundação Clínica de Cleveland, usaram a ECP para induzir funções dentro das redes cerebrais residuais e ainda funcionais. Segundo os pesquisadores, se os resultados forem replicados em outros casos, poderão mudar os padrões de cuidado desses pacientes crônicos, que passarão a contar com a possibilidade de tratamentos e acompanhamentos clínicos reabilitativos.

De volta à vida

Os estudos que levaram ao sucesso do procedimento cirúrgico contaram com a participação de pesquisadores de diversas instituições nos Estados Unidos e vêm sendo conduzidos há quase dez anos. O conceito original do trabalho foi desenvolvido pelo neurocientista Nicholas Schiff, da Faculdade Médica Weill Cornell, que também assina o artigo agora publicado.

“O paciente usa palavras e gestos e responde rapidamente a questões. Ele consegue mastigar e engolir e não precisa mais se alimentar por tubo. Ele pode realizar alguns movimentos complexos, como aqueles necessários para beber de um copo ou escovar os cabelos. Anos de imobilidade severa e contrações nos tendões, entretanto, limitam a realização de tarefas”, disse Joseph Giacino, diretor de neuropsicologia do Instituto de Reabilitação JFK, também autor do artigo.

Cirurgia automatizada

A cirurgia exigiu precisão milimétrica e foi conduzida com a ajuda de mapas fisiológicos produzidos por computadores e por um sistema de navegação por imagem. Minúsculos eletrodos foram implantados nas estruturas cerebrais profundas e conectados a baterias de um marca-passo.

A operação, complicada pelos danos extensos no cérebro do paciente, foi feita em duas etapas, em um total de dez horas. A cirurgia de ECP é empregada geralmente em pacientes com doença de Parkinson, mas estudos recentes têm experimentado o procedimento em outros casos, como de epilepsia ou depressão.

“A atividade dentro das redes neurais integradas é apoiada por células de uma área central do cérebro chamada de tálamo, que achamos ser a chave para o ajuste das atividades cerebrais em resposta a demandas cognitivas”, disse Schiff.

Amplificador no cérebro

“Nossa teoria era que impulsos elétricos direcionados para essa área ajudariam a amplificar níveis reduzidos de atividades que consideramos que estariam presentes. Em outras palavras, achávamos que os sinais que ajudam a direcionar a fala e os movimentos ainda estivessem presentes no cérebro. Só queríamos estimular sua eficiência e funcionalidade, auxiliando-os a trabalhar melhor”, completou Giacino.

Apesar do sucesso até o momento, os pesquisadores não sabem dizer se o paciente continuará a recuperar movimentos, a capacidade de comunicação e outras funções. Mas, segundo eles, a plasticidade inerente ao cérebro implica que o paciente poderá usar os ganhos já obtidos para evoluir em sua recuperação.

“As mudanças nas capacidades funcionais estão estatisticamente relacionadas ao uso do ECP, e elas têm sido extraordinárias e sustentadas. Esperamos que esse primeiro uso do ECP para tratar de pacientes em estado de consciência mínima marque o início de um período de inovação em nossa abordagem de lesões cerebrais traumáticas”, disse Rezai.

Bibliografia:
Behavioural improvements with thalamic stimulation after severe traumatic brain injury
N. D. Schiff, et alli
Nature
02 Aug 2007
Vol.: 448, 600 – 603
DOI: 10.1038/nature06041

Projetos científicos terão investimento superior a R$400 milhões

7 agosto 2007

As áreas da saúde, agricultura familiar, energia, TV Digital, além de micro e pequenas empresas terão investimentos de R$ 431 milhões ainda este ano para o desenvolvimento de pesquisas científicas.

A informação é do ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, em reunião com o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Marco Zago, e o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luis Fernandes.

Pesquisas acadêmicas

Os projetos voltados especificamente ao estudo científico-acadêmico terão recursos de R$ 100 milhões do CNPq. As ações focadas no desenvolvimento de micro e pequenas empresas, saúde, pesquisa com animais, TV Digital e agricultura familiar receberão R$ 331 milhões, provenientes da Finep.

O CNPq dividiu a destinação dos recursos em três faixas. A primeira prevê R$ 35 milhões para projetos no valor de até R$ 20 mil; a segunda destina R$ 35 milhões para projetos com custos entre R$ 20 e R$ 50 mil; enquanto a última, emprega R$ 50 milhões para projetos orçados entre R$ 50 e R$ 150 mil.

Na avaliação do presidente do CNPq, a comunidade científica está “muito otimista”, pois os editais especificam os valores para projetos.

Livre concorrência

“Esse edital introduz uma inovação por ser divido em faixas. A faixa com investimentos de menor valor, que tem execução mais teórica e não exige equipamentos custosos, dá oportunidade a pesquisadores jovens a uma concorrência livre. Ou seja, eles não precisam mais concorrer com pesquisadores de carreira estabelecida e com mais experiência”, disse Zago.

Segundo ele, pelo menos 30% dos recursos serão destinados às regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste.

“A nossa política não pode ser de redistribuição, e sim de integração. O Brasil não pode abrir mão de preservar a ponta de qualidade que já foi atingida [em relação as regiões Sul e Sudeste]. É preciso integrar a qualificação avançada em todos os estados daqui pra frente”, acrescentou o o presidente da Finep.

Pedidos de financiamento

Os projetos da Finep foram divididos em oito chamadas públicas, assim divididas: projeto de pesquisa estruturante; inovação tecnológica de micro e pequenas empresas; desenvolvimento na saúde, que tem outros três tópicos, estudos em laboratórios com animais; inovação em equipamentos para TV Digital; e agricultura familiar.

Juntas, elas terão investimento de R$ 111 milhões. Os outros R$ 220 milhões serão destinados a projetos futuros, a serem apresentados pelo ministério.

Os editais para concorrer aos recursos são diferentes nas duas instituições. As propostas relacionadas à área de conhecimento tecnológico do CNPq só podem ser enviadas pelo site www.cnpq.br entre 15 de agosto e 27 de setembro de 2007.

As propostas para a Finep podem ser enviadas de hoje até 15 de setembro pelo site www.finep.gov.br.

De acordo com as entidades, apesar de não ter data definida, o resultado da seleção, pode sair no início do mês de novembro.


Construa seu próprio microscópio eletrônico e crie uma nanofábrica

7 agosto 2007

Construa seu próprio microscópio eletrônico e crie uma nanofábricaAs nanotecnologias figuram hoje como a fronteira mais avançada em diversos campos de pesquisas, da biologia à eletrônica. Mas lidar com escalas de um bilionésimo de metro não precisa necessariamente depender de equipamentos que custam na faixa de milhões de dólares, além de poder ser feita por profissionais já formados, que hoje lidam com escalas bem maiores.

Microscópio de força atômica

Dois trabalhos divulgados hoje demonstram que pode ser simples construir equipamentos capazes de lidar com nanoestruturas e até com átomos e moléculas individuais. A idéia nas duas pesquisas é construir um microscópio de força atômica, uma das ferramentas mais utilizadas no campo da nanotecnologia.

O microscópio de força atômica ou AFM, na sigla em inglês (“Atomic Force Microscope”), é um microscópio eletrônico. Ao contrário dos microscópios ópticos, que permitem uma visualização direta dos objetos, suas imagens são geradas em computador, a partir do escaneamento da amostra com uma ponta extremamente fina, montada sobre uma pequena viga extremamente flexível.

As forças existentes entre a ponta e a amostra fazem oscilar a viga, um movimento que permite gerar em computador uma imagem da estrutura que está sendo observada.

Com a vantagem de que essas mesmas forças permitem a manipulação das moléculas e dos átomos, transformando o microscópio de força atômica em uma verdadeira multi-ferramenta, capaz de construir nanoestruturas molécula a molécula e, ao mesmo tempo, ir fazendo uma imagem do que está sendo feito.

Construa seu próprio microscópio de força atômica

O primeiro projeto é de pesquisadores do Instituto de Biofísica da Universidade de Munique, Alemanha. Eles divulgaram um conjunto completo de instruções do tipo “faça-você-mesmo o seu próprio microscópio de força atômica.” O microscópio de força atômica feito em casa possui uma resolução que permite a visualização de moléculas individuais.

Provavelmente o mais “high-tech” de todos os tutoriais que existem, o conjunto de instruções e desenhos técnicos permite a construção da parte principal do microscópio de força atômica – a chamada cabeça de leitura. A partir dela, os sinais podem ser enviados para um computador para a geração das imagens.

Mas, embora seja divulgado com a idéia “feito em casa”, o tutorial é mais adequado para quem dispõe de conhecimento sobre o assunto e, principalmente, algumas ferramentas especiais. Isso porque a maioria da estrutura deve ser feita com ferramentas de prototipagem rápida, que permitem a construção de peças em qualquer formato.

Retrofitting nanotecnológico

Construa seu próprio microscópio eletrônico e crie uma nanofábricaO segundo projeto consiste na conversão de um equipamento industrial antigo de fabricação automatizada em uma moderna fábrica nanotecnológica, permitindo a construção de estruturas somente visíveis por microscópios eletrônicos. O termo retrofitting é muito conhecido dos engenheiros e se refere à modernização de equipamentos e outras estruturas.

Os engenheiros da Universidade de Duke, Estados Unidos, utilizaram um torno construído para a fabricação de peças metálicas normais, em macro-esscala, e o converteram em uma nano-fábrica que opera com as mesmas linguagens de programação que o equipamento industrial original.

Nano-fábrica

Indo além do microscópio de força atômica tradicional, a nano-fábrica consegue produzir nanoestruturas 3-D utilizando óxido de silício – um material comum na indústria eletrônica e o mais utilizado para a fabricação de sistemas microeletromecânicos (MEMS) e nanoeletromecânicos (NEMS).

A técnica de fabricação utilizada é chamada de nanolitografia anodizada, por meio da qual os óxidos são montados sobre superfícies semicondutoras ou metálicas por meio da aplicação de uma corrente elétrica na presença de minúsculas quantidades de água.

Nanotecnologia para todos

As duas pesquisas demonstram que a nanotecnologia não precisa estar tão distante de escolas e institutos de pesquisas com menos recursos financeiros, inclusive escolas técnicas. E, sobretudo, demonstra que esse campo emergente de pesquisas pode contar com a experiência e o treinamento dos profissionais atuais.

Principalmente a conversão de equipamentos industriais antigos. Afinal, muitos pesquisadores demonstram maravilhosas soluções tecnológicas utilizando a nanotecnologia. O problema é que muitos desses aparatos são feitos utilizando os microscópios de força atômica tradicionais, que são bons para a pesquisa, mas lentos demais para a fabricação. A pergunta que fica é: “Dá prá construir 1 milhão de MEMS iguais a esse prá colocar no mercado?”

Equipamentos automatizados de fabricação em série são a melhor resposta a essa pergunta. Sobretudo quando podem ser operados por programadores e técnicos já formados, disponíveis no mercado de trabalho.

Bibliografia:
Three-dimensional design and replication of silicon oxide nanostructures using an atomic force microscope
Matthew S Johannes, Daniel G Cole, Robert L Clark
Nanotechnology
27 July 2007
Vol.: 18 345304
DOI: 10.1088/0957-4484/18/34/345304

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